Comprar imóvel em Punta del Este sendo brasileiro: documentos, custos e o que declarar no Brasil

Comprar imóvel em Punta del Este sendo brasileiro: documentos, custos e o que declarar no Brasil

Um brasileiro pode comprar um imóvel em Punta del Este com os mesmos direitos de um cidadão uruguaio: a compra não exige residência, visto nem presença física no país. O que muda para quem compra do Brasil é a logística (procuração, remessa internacional, comprovação da origem dos recursos) e, do lado brasileiro, o que é preciso informar à Receita Federal e ao Banco Central depois da operação.

Documentos para comprar

  • Passaporte válido. Segundo a Holafly, o RG também é aceito para cidadãos do Mercosul; vale confirmar com o escribano antes de viajar.
  • Comprovante da origem dos recursos, que o escribano e o banco podem pedir.
  • Dados pessoais completos, com endereço.
  • Opcional: procuração a um profissional de confiança no Uruguai, para assinar sem viajar.

O escribano público é o profissional que, no Uruguai, conduz a operação e cumpre um papel equivalente ao do tabelião. Os honorários do escribano do comprador são pagos pelo comprador.

O processo em cinco etapas

  1. Busca e pré-seleção. Portais imobiliários e imobiliárias locais.
  2. Estudo de títulos. O escribano verifica o histórico do imóvel e seus ônus antes de qualquer pagamento.
  3. Boleto de reserva. Costuma exigir um sinal de 10% do preço e, em alguns casos, até 20%.
  4. Pagamento. Em geral em dólares, por transferência internacional; o banco pode pedir a comprovação da origem dos fundos.
  5. Escritura e registro. Pagam-se os impostos e o imóvel é registrado em nome do comprador.

O prazo habitual vai de 30 a 60 dias, e chega a 90 quando há financiamento.

Quanto custa comprar

As referências publicadas coincidem na ordem de grandeza. A base de cálculo do ITP deve ser confirmada pelo escribano.

Item Referência
ITP (imposto de transmissão) 2% para o comprador e 2% para o vendedor (4% no total)
Escribano do comprador 3% + IVA sobre o valor do imóvel
Imobiliária 3% + IVA sobre o preço
Selos e registro Cerca de 0,5% do valor
Ocupação e conexão 2% a 4%, apenas em imóveis novos

A Holafly recomenda reservar entre 8% e 12% sobre o preço para impostos, honorários e registro. A isso se somam o custo do câmbio e os tributos brasileiros sobre a remessa, que devem ser consultados com o banco.

O que declarar no Brasil

Quem é residente fiscal no Brasil deve informar os bens no exterior na declaração anual do IRPF. Além disso, quem tinha mais de US$ 1 milhão em ativos no exterior em 31 de dezembro deve entregar ao Banco Central a DCBE (Declaração de Capitais Brasileiros no Exterior); os imóveis entram no cálculo. Na edição 2026 (ano-base 2025), o prazo foi de 15 de fevereiro a 5 de abril, e a multa por omissão é de 1% do valor sujeito à declaração, limitada a R$ 25.000. O calendário se repete a cada ano e deve ser conferido antes de cada exercício. O que é tributado no Brasil, e como, depende de cada caso: é uma consulta para um contador brasileiro.

Residência: o que a compra não resolve

Comprar não concede residência. Há dois trâmites distintos:

  • Residência migratória. A residência temporária Mercosul é dirigida a nacionais dos países do bloco e dura até 2 anos, renovável uma vez por igual período. Documentos emitidos pelo Brasil são dispensados de apostila ou legalização. O trâmite custa 557,30 UI, segundo o portal oficial gub.uy.
  • Residência fiscal. Obtém-se, entre outros critérios, com mais de 183 dias por ano no Uruguai, ou com um imóvel de mais de 3.500.000 UI (cerca de US$ 380.000 a 400.000, segundo a Nicolás de Modena) e pelo menos 60 dias por ano no país. Os novos residentes têm um regime de 11 anos sem IRPF sobre rendimentos de capital de fonte estrangeira, ou alíquota de 7%. Desde 2026 há condições adicionais de investimento para quem não obtém a residência pelos 183 dias.

Quem não é residente fiscal uruguaio paga IRNR de 10,5% sobre o valor bruto do aluguel do imóvel, segundo a Holafly. Para o quadro completo, veja o guia de residência fiscal no Uruguai.

Financiamento para não residentes

Os bancos locais costumam exigir residência fiscal e renda comprovada no Uruguai, com entrada de 30% a 40%. Segundo a Holafly, o HSBC financia até 60% para não residentes, com foco em compradores da Argentina e do Brasil. As condições mudam e devem ser confirmadas com cada banco.

Checklist antes de assinar

  • Escribano próprio, que represente o comprador.
  • Estudo de títulos concluído antes de pagar o sinal.
  • Custos, base do ITP e despesas por escrito.
  • Procuração limitada a esta operação, se assinar à distância.
  • Origem dos recursos documentada.
  • Consulta a um contador no Brasil sobre IRPF, DCBE e remessa.
  • Em imóvel novo, confirmar as taxas de ocupação e conexão.

Mais contexto: o guia geral para comprar sendo estrangeiro, a nota sobre brasileiros em Punta del Este, as traduções oficiais espanhol–português em Maldonado e os preços de chácaras em Maldonado.

Fontes consultadas em 2/11/2026: Holafly, gub.uy (residência temporária Mercosul), P&R Advogados (DCBE) e Nicolás de Modena. Esta nota é informativa e não substitui a orientação de um escribano nem de um contador.

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